Os físicos começam a suspeitar que algo não vai bem quando os parâmetros de uma teoria possuem valores relativos muito diferentes de 1. Isso não é natural. É claro que não há um meio de quantificar a naturalidade e é apenas uma maneira de expressar a nossa insatisfação com algo que desconhecemos. Um exemplo típico é a constante cosmológica. A expansão acelerada do Universo é causada por um mecanismo ainda desconhecido e que é chamado de energia escura. Uma possível causa para a energia escura seria a presença da constante cosmológica nas equações de Einstein da relatividade geral. Essa constante dá origem a uma expansão acelerada para o Universo. O valor da constante cosmológica determinada pelas experiências é muito pequeno e se o expressarmos em termos de unidades de Planck (onde a velocidade da luz é 1, a constante de Planck é 1, e a constante da gravitação universal de Newton também é 1) o seu valor é 1/10¹²². Esse valor é muito pequeno, muito próximo de zero, e não é natural. Além disso, se calcularmos o valor da constante cosmológica na teoria quântica de campos, levando em conta as flutuações quânticas do vácuo, encontraríamos o valor 1, que é natural. A discrepância entre o valor teórico e o valor experimental é enorme: 10¹²², talvez a maior discrepância entre teoria e experimento já encontrado na física. Este é o problema da constante cosmológica e que ainda não foi solucionado.
A massa do bóson de Higgs, determinada pelo LHC, é de cerca de 125 GeV, que em unidades de Planck resulta em 1/1017 que é um número muito pequeno, mas não tão pequeno quanto a constante cosmológica. Porém, se levarmos em conta as flutuações quânticas do vácuo na teoria quântica de campos, o valor que encontramos é 1. Novamente temos um problema de naturalidade. Diferentemente do que acontece com a constante cosmológica, há uma maneira de explicar esse valor pequeno da massa do Higgs: a supersimetria. Nas teorias supersimétricas, que contém tanto bósons (partículas de spin inteiro) quanto férmions (partículas com spin semi-inteiro), ocorre um cancelamento das flutuações quânticas entre bósons e férmions. Isso significa que a massa do Higgs não deve ser 1 mas pode ter qualquer valor. Entretanto, a supersimetria prevê a existência de uma quantidade enorme de outras partículas, que foram procuradas no LHC, e até agora ainda não foram encontradas. Por um lado necessitamos da supersimetria para garantir que a massa do Higgs seja pequena, mas por outro lado, não encontramos partículas supersimétricas! Mais um problema a procura de solução na física. Um artigo publicado hoje no The Guardian comenta o assunto.
News on quantum gravity, strings and other interesting stuff in physics.
Novidades em gravitação quântica, cordas e outras coisas interessantes em física.
28 September 2012
27 September 2012
Novo Site de Cordas
Recentemente foi lançado um novo site sobre cordas: Why String Theory, na Universidade de Oxford. É um site para divulgação científica feito por um pesquisador da área e com a ajuda de estudantes de graduação. Os textos, em inglês, são claros e compreensíveis. Boa diversão!
06 August 2012
Colóquio: A busca pelo bóson de Higgs
O colóquio desta semana do Convite à Física será sobre o bóson de Higgs e será ministrado pelo prof. Sérgio Novaes na UNESP. Ele faz parte do CMS, um dos experimentos do LHC, e é um dos responsáveis pela implementação de um grid (um sistema distribuído de computação) para análise dos dados do LHC, no Brasil. O colóquio será nesta quarta, dia 8 de agosto, às 18 hs e vai ser transmitido pela internet. Será uma ótima oportunidade para conhecer mais detalhes desta história fascinante.
Curiosity chega a Marte
Após a aterrissagem espetacular, o Curiosity envia suas primeiras imagens de Marte, em preto e branco de 512x512 pixels. Mais detalhes no site da Nasa.
31 July 2012
A dramática chegada do Curiosity em Marte
Mais um robô vai explorar Marte: o Curiosity. Foi lançado em 26 de novembro de 2011 e deve chegar no Monte Aeolis, Marte, em 6 de agosto. Ele é três vezes mais pesado e duas vezes mais largo do que os atuais exploradores que chegaram em Marte em 2004.
A aterrissagem será extremamente sofisticada, algo nunca tentado antes. Serão sete minutos de terror até tocar a superfície. Inicialmente a capsula que contém o robô será desacelerada pela fina atmosfera de Marte o que gerará uma enorme quantidade de calor. A seguir um enorme paraquedas será utilizado para diminuir a velocidade da capsula. Essa desaceleração não é suficiente para uma aterrissagem segura. A parte inferior da capsula será então ejetada e motores irão atenuar ainda mais a velocidade de queda do robô. Ele então será dirigido para um local plano onde será descido até a superfície de Marte através de um guindaste! São operações extremamente delicadas e que requerem enorme precisão. Um vídeo sensacional (em inglês) produzido pela NASA mostra todas as etapas. A chegada será transmitida pelo canal da Nasa. Deve ser lembrado, entretanto, que como a distância até a Terra será de cerca de 14 minutos luz, só saberemos se tudo ocorreu como planejado bem depois da aterrissagem. Vale a pena conferir.
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