Quando usamos um celular para conversar com alguém distante, ou quando compramos um medicamento para tratar uma doença e/ou procuramos uma benzedeira para curar o mal, ou quando usamos a internet para procurar um emprego e/ou rezamos para um santo poderoso a fim de encontrar trabalho, o importante é atingir o objetivo, não importa de que maneira. Vivemos num mundo mágico em que o funcionamento de um celular é tão misterioso quanto as rezas de uma benzedeira. Afinal, se é possível falar com uma pessoa noutra cidade, porque não é possível curar doenças através de preces ou de pensamentos positivos? É claro que o celular nem sempre conecta na primeira tentativa, e atribuímos isso à baixa qualidade dos serviços da operadora, ou a uma tempestade recente. Nem sempre o remédio ou a benzedeira surtem efeito, e culpamos o médico por ter prescrito um medicamento inapropriado e por ter levado o doente poucas vezes à benzedeira. Se não conseguimos o emprego sonhado, é culpa da economia, e da falta de fé
no santo milagroso. Há sempre uma explicação aparentemente lógica, porém, quase sempre irracional. Para a grande maioria da população, inclusive aquela parcela que foi educada em boas escolas, não há distinção entre usar meios científicos ou usar meios místicos para compreender o que acontece a nós. Isto tudo reflete uma falha gravíssima do sistema educacional, a sua incapacidade de ministrar uma educação científica de qualidade, que mostre a distinção entre fatos naturais, que são estudados e compreendidos pela ciência, e crendices populares baseadas na superstição e na religião. E não apenas no Brasil, mas no mundo afora, primeiro mundo incluído.