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30 May 2008

Harvard ameaçada

Os políticos de Massachusetts estão querendo cobrar impostos de Harvard, uma das melhores universidades americanas, segundo o Wall Street Journal. Um dos argumentos apresentados é que o número de estudantes de Harvard é reduzido e que a maior parte do orçamento da universidade vai para a pesquisa e não para o ensino. Parece que o mesmo problema crônico que assola as melhores universidades do terceiro mundo chega aos EUA. Leia a proposta de um professor de Harvard e uma discussão sobre pesquisa versus ensino nas universidades.

Ultimamente a USP vem caminhando na direção errada. Um exemplo flagrante é a distribuição de vagas para contratação de professores. É dada prioridade aos departamentos que possuem carga didática elevada, ignorando-se completamente a carga didática da pós-graduação, a orientação de estudantes, e os trabalhos de pesquisa desenvolvidos no departamento. Aqui, não foi necessária nenhuma pressão externa, é a própria universidade se auto-destruindo. Um pena.

24 May 2007

O valor de uma greve

Fiquei estarrecido com a afirmação feita por um dos alunos grevistas no IFUSP. O cerceamento vergonhoso aos professores e alunos adotados para impedir as aulas tem por finalidade evitar que eles, os grevistas, fiquem com faltas ou percam as provas aplicadas por professores que não aderiram à greve! Está inaugurada uma nova modalidade de greve, a greve de risco zero. Você pára e obriga todos a pararem, não pela persuasão e convencimento racionais mas sim pela violência e pela irracionalidade da força bruta.

O operário grevista não tem os dias de greve pagos; a reposição dos dias perdidos é quase sempre negociada ao final da paralisação. No passado, professores e estudantes da USP faziam greves e passeatas arriscando suas posições na universidade e, freqüentemente, a própria vida. Mas hoje em dia a história é outra. Na verdade, tais grevistas são um desrespeito para os que arriscaram suas vidas por ideais democráticos e uma vergonha para o Instituto de Física e para a própria USP.

Entretanto, tudo isto é bastante revelador. O valor de um bem é medido por aquilo que se está disposto a arriscar. Nossos grevistas de risco zero demonstraram claramente o quanto vale o ideal pelo qual lutam: absolutamente nada!

O estupro da USP

Não estou em greve. A decisão tomada por uma assembléia de 300 professores da ADUSP não representa a minha posição, nem de muitos colegas que conheço e nem, arrisco a afirmar, da maioria dos quase 5000 docentes da USP. Da mesma forma, a greve decretada pelos estudantes não representa a posição de parcela significativa de meus alunos. Mesmo que aqueles contrários à greve sejam uma minoria é necessário respeitá-los. Entretanto, o que se vê é uma coerção injustificável por parte dos grevistas, impedindo, de forma violenta, o acesso às salas de aula. Nas raras ocasiões que uma aula consegue acontecer, um bando de alunos com bumbos, apitos e cornetas rapidamente aparece para impedir seu andamento. Jogam bombinhas e socam as portas e vidros da sala de aula, numa atitude de violência jamais presenciada nas últimas décadas.

Os grevistas clamam por mais democracia e pela preservação de seu direito à greve. Mas esquecem que um dos pilares de qualquer sistema democrático é a garantia dos direitos individuais de qualquer grupo, neste caso, daqueles que não desejam participar da greve. Não respeitar a posição dos colegas que não apóiam a greve é lançar a democracia no lixo da história.

Os atos presenciados relembram a época da ditadura militar onde o direito de ir e vir era cerceado e os professores eram impedidos de ministrar suas aulas. A diferença é que hoje isto é praticado por um bando de grevistas em pleno estado de direito. As autoridades universitárias mantém-se omissas e não tomam qualquer iniciativa para coibi-los. Não fazem valer seu papel de guardiãs do patrimônio da universidade.

E não me refiro apenas ao patrimônio físico, mas ao patrimônio maior de qualquer universidade digna desse nome: a liberdade de expressão e a diversidade de opiniões. Hoje os grevistas nos calam e nos impõem sua vontade pela força, impedindo-nos de exercer nossas atividades. A USP está tristemente sendo estuprada por uma minoria de seus próprios professores e alunos. Uma cena bizarra que acontece em pleno século 21 e que só faz relembrar os tempos de escuridão e violência que pareciam esquecidos.

22 May 2007

A ocupação da reitoria da USP e do IFUSP

Ontem um punhado de alunos do Instituto de Física da USP declarou greve. Durante a madrugada empilharam carteiras nos corredores onde existem salas de aula e também na entrada da ala central, o acesso principal dos estudantes. Com isso estavam tentando impedir as aulas de hoje numa atitude de autoritarismo que lembra a época da ditadura militar. Não respeitam a posição dos estudantes que não apoiam a greve, outra atitude completamente anti-democrática.

À tarde, uma professora e alguns alunos conseguiram entrar num auditório mas tiveram que trancar a porta para impedir a entrada de um bando de estudantes com bumbos e cornetas. Durante uma reunião com o diretor em exercício, que ocorria no mesmo horário, era possível ouvir o barulho fora do auditório e sentir a sala estremecer. Parecia que a universidade estava desmoronando ao nosso redor. E acho que é isso que está realmente acontecendo, em todos os sentidos.

A USP e o IFUSP foram tomados por um bando de alunos que não merecem o privilégio de estudar numa universidade pública. Destroem nosso valioso patrimônio usando uma violência injustificável. Não respeitam colegas, professores, ou qualquer ser humano que não compartilhe de suas opiniões radicais e anti-democráticas. Pior ainda, tentam destruir a base da própria universidade: a liberdade de expressão e a diversidade de opiniões.

UPDATE:Cobertura da Folha, da Folha, da Globo