31 March 2008

Um juiz pode salvar a Terra dos buracos negros?

O LHC (Large Hadron Collider) é o acelerador de partículas mais potente já construído e deverá entrar em funcionamento em julho deste ano (mais detalhes aqui). Enquanto, isso, no Havai, duas pessoas entraram com uma ação na justiça pedindo o embargo do início das atividades do LHC. Eles acreditam que o LHC pode criar mini-buracos negros que destruiriam a Terra, segundo o The New York Times. É pouco provável que isso tenha qualquer conseqüência jurídica já que o LHC foi construído parte na Suiça e parte na França e está fora da jurisdição americana. Mas não impede que eco-fanáticos europeus dêem início a uma ação semelhante por lá.

Update: versão da Folha

27 March 2008

25 May 2007

O fim da barricada no IFUSP

Uma descrição detalhada da retomada do direito de ir e vir no IFUSP pode ser encontrada aqui.

24 May 2007

O valor de uma greve

Fiquei estarrecido com a afirmação feita por um dos alunos grevistas no IFUSP. O cerceamento vergonhoso aos professores e alunos adotados para impedir as aulas tem por finalidade evitar que eles, os grevistas, fiquem com faltas ou percam as provas aplicadas por professores que não aderiram à greve! Está inaugurada uma nova modalidade de greve, a greve de risco zero. Você pára e obriga todos a pararem, não pela persuasão e convencimento racionais mas sim pela violência e pela irracionalidade da força bruta.

O operário grevista não tem os dias de greve pagos; a reposição dos dias perdidos é quase sempre negociada ao final da paralisação. No passado, professores e estudantes da USP faziam greves e passeatas arriscando suas posições na universidade e, freqüentemente, a própria vida. Mas hoje em dia a história é outra. Na verdade, tais grevistas são um desrespeito para os que arriscaram suas vidas por ideais democráticos e uma vergonha para o Instituto de Física e para a própria USP.

Entretanto, tudo isto é bastante revelador. O valor de um bem é medido por aquilo que se está disposto a arriscar. Nossos grevistas de risco zero demonstraram claramente o quanto vale o ideal pelo qual lutam: absolutamente nada!

O estupro da USP

Não estou em greve. A decisão tomada por uma assembléia de 300 professores da ADUSP não representa a minha posição, nem de muitos colegas que conheço e nem, arrisco a afirmar, da maioria dos quase 5000 docentes da USP. Da mesma forma, a greve decretada pelos estudantes não representa a posição de parcela significativa de meus alunos. Mesmo que aqueles contrários à greve sejam uma minoria é necessário respeitá-los. Entretanto, o que se vê é uma coerção injustificável por parte dos grevistas, impedindo, de forma violenta, o acesso às salas de aula. Nas raras ocasiões que uma aula consegue acontecer, um bando de alunos com bumbos, apitos e cornetas rapidamente aparece para impedir seu andamento. Jogam bombinhas e socam as portas e vidros da sala de aula, numa atitude de violência jamais presenciada nas últimas décadas.

Os grevistas clamam por mais democracia e pela preservação de seu direito à greve. Mas esquecem que um dos pilares de qualquer sistema democrático é a garantia dos direitos individuais de qualquer grupo, neste caso, daqueles que não desejam participar da greve. Não respeitar a posição dos colegas que não apóiam a greve é lançar a democracia no lixo da história.

Os atos presenciados relembram a época da ditadura militar onde o direito de ir e vir era cerceado e os professores eram impedidos de ministrar suas aulas. A diferença é que hoje isto é praticado por um bando de grevistas em pleno estado de direito. As autoridades universitárias mantém-se omissas e não tomam qualquer iniciativa para coibi-los. Não fazem valer seu papel de guardiãs do patrimônio da universidade.

E não me refiro apenas ao patrimônio físico, mas ao patrimônio maior de qualquer universidade digna desse nome: a liberdade de expressão e a diversidade de opiniões. Hoje os grevistas nos calam e nos impõem sua vontade pela força, impedindo-nos de exercer nossas atividades. A USP está tristemente sendo estuprada por uma minoria de seus próprios professores e alunos. Uma cena bizarra que acontece em pleno século 21 e que só faz relembrar os tempos de escuridão e violência que pareciam esquecidos.