11 May 2012

O Prêmio Nobel de Física de 2011

A teoria da relatividade geral, proposta por Einstein em 1915, pode ser usada para descrever a história do universo. Naquela época acreditava-se que o movimento relativo dos objetos celestes era pequeno de forma que uma boa aproximação seria assumir que o universo fosse estático. Entretanto, Einstein não consegue obter das equações da relatividade geral um universo estático. Ele então as modifica em 1917 introduzindo um novo termo chamado de constante cosmológica. Dessa forma, a teoria da relatividade geral modificada fornece soluções em que o universo é estático. A partir de 1922 A. Friedmann mostra de forma bastante geral que as equações da relatividade geral admitem universos em expansão ou em contração, mas não universos estáticos. Dois anos depois, em 1924, E. Hubble descobre que as nebulosas vistas pelos telescópios eram na verdades galáxias como a via Láctea, e que se encontram à distâncias enormes de nossa galáxia, mostrando a vastidão do universo visível. Ele tenta então determinar a velocidade dessas galáxias e descobre, em 1929, que as galáxias mais distantes estão se afastando de nós, e quanto mais distantes elas estão, maior é a velocidade de afastamento. Esse relação ficou conhecida como a Lei de Hubble. Ele havia descoberto, de fato, que o universo está em expansão! Isso criou um embaraço muito grande para Einstein. Afinal, a relatividade geral previa que o universo poderia estar em expansão mas ele a havia modificado para que gerasse um universo estático. Einstein então afirma que havia cometido o maior erro da vida ao modificar a teoria da relatividade original que estava de acordo com a descoberta da expansão do universo.

25 April 2012

Uma Vela no Mundo Mágico em que Vivemos

Quando usamos um celular para conversar com alguém distante, ou quando compramos um medicamento para tratar uma doença e/ou procuramos uma benzedeira para curar o mal, ou quando usamos a internet para procurar um emprego e/ou  rezamos para um santo poderoso a fim de encontrar trabalho, o importante é atingir o objetivo, não importa de que maneira. Vivemos num mundo mágico em que o funcionamento de um celular é tão misterioso quanto as rezas de uma benzedeira. Afinal, se é possível falar com uma pessoa noutra cidade, porque não é possível curar doenças através de preces ou de pensamentos positivos? É claro que o celular nem sempre conecta na primeira tentativa, e atribuímos isso à baixa qualidade dos serviços da operadora, ou a uma tempestade recente. Nem sempre o remédio ou a benzedeira surtem efeito, e culpamos o médico por ter prescrito um medicamento inapropriado e por ter levado o doente poucas vezes à benzedeira. Se não conseguimos o emprego sonhado, é culpa da economia, e da falta de fé
no santo milagroso. Há sempre uma explicação aparentemente lógica, porém, quase sempre irracional. Para a grande maioria da população, inclusive aquela parcela que foi educada em boas escolas, não há distinção entre usar meios científicos ou usar meios místicos para compreender o que acontece a nós. Isto tudo reflete uma falha gravíssima do sistema educacional, a sua incapacidade de ministrar uma educação científica de qualidade, que mostre a distinção entre fatos naturais, que são estudados e compreendidos pela ciência, e crendices populares baseadas na superstição e na religião. E não apenas no Brasil, mas no mundo afora, primeiro mundo incluído.

19 April 2012

Onde Está a Matéria Escura do Sistema Solar?

A matéria escura é constituída de partículas que não emitem e nem absorvem luz. Até agora só pôde ser detectada pelos seus efeitos gravitacionais. Ela constitui 23% do conteúdo de energia do Universo. Desde 2006, quando foi anunciada a descoberta da matéria escura , várias confirmações foram aparecendo ao longo dos anos.
Ela deve existir inclusive na nossa galáxia
e permear o espaço interplanetário do
sistema solar.Simulações mostram que a via Láctea está imersa numa nuvem de matéria escura indicada pelo halo azul na figura ao lado. Surpreendentemente, resultados divulgados pelo telescópio ESO no Chile, que mapeou o movimento de 400 estrelas até 13 000 anos-luz do Sol, encontram muito menos matéria escura do que a predita, indicando que não há uma quantidade significativa de matéria escura em nossa vizinhança. A massa detectada é compatível com a quantidade de estrelas, gás e poeira na região ao redor do Sol. O que está acontecendo? Isso talvez explique porque até agora não houve detecção direta da matéria escura nos laboratórios. Veja o anúncio dos resultados no Phys Org ou a versão em espanhol .

12 April 2012

Neutrinos e a Relatividade Restrita

O experimento italiano OPERA foi construído com a finalidade de se detectar a transformação de neutrinos do múon para neutrinos do tau. Essa oscilação de neutrinos de um tipo para outro é outra manifestação do fato de que os neutrinos possuem massa. Como o modelo padrão das partículas elementares assume que os neutrinos não possuem massa isto demonstra que o modelo padrão não é completo e necessita ser estendido. Os neutrinos do OPERA são produzidos no CERN, na Suíça, e detectados pelo OPERA na Itália, após viajarem vários quilômetros sob a superfície da Terra.

Em 2007, um outro experimento chamado MINOS, também construído para estudar a oscilação de neutrinos, determinou que a velocidade dos neutrinos que chegavam ao detector estava entre 0.999 976 c e 1.000 126 c, onde c é a velocidade da luz. O valor central está acima da velocidade da luz porém a incerteza experimental é muito grande. Isso chamou a atenção na época porém teve pouca repercussão na mídia. Havia um sentimento geral de que medidas mais precisas demonstrariam que os neutrinos viajariam com velocidade inferior à velocidade da luz, como requer a relatividade restrita. Novos resultados desse experimento são esperados para 2012.

30 May 2008

Harvard ameaçada

Os políticos de Massachusetts estão querendo cobrar impostos de Harvard, uma das melhores universidades americanas, segundo o Wall Street Journal. Um dos argumentos apresentados é que o número de estudantes de Harvard é reduzido e que a maior parte do orçamento da universidade vai para a pesquisa e não para o ensino. Parece que o mesmo problema crônico que assola as melhores universidades do terceiro mundo chega aos EUA. Leia a proposta de um professor de Harvard e uma discussão sobre pesquisa versus ensino nas universidades.

Ultimamente a USP vem caminhando na direção errada. Um exemplo flagrante é a distribuição de vagas para contratação de professores. É dada prioridade aos departamentos que possuem carga didática elevada, ignorando-se completamente a carga didática da pós-graduação, a orientação de estudantes, e os trabalhos de pesquisa desenvolvidos no departamento. Aqui, não foi necessária nenhuma pressão externa, é a própria universidade se auto-destruindo. Um pena.